“Estudantes de Medicina portugueses no estrangeiro vão poder acabar curso em Portugal “

Ministra da Saúde estima que 700 portugueses estejam a estudar no estrangeiro

Estudantes de Medicina portugueses no estrangeiro vão poder acabar curso em Portugal 

28.01.2009 – 08h57 Lusa

 

“O Ministério da Saúde vai convidar os alunos portugueses de Medicina que estudam no estrangeiro a terminarem o curso nas universidades portuguesas. A decisão foi anunciada pela ministra da Saúde, Ana Jorge, em entrevista à Lusa a propósito do seu primeiro ano de mandato, durante a qual reiterou a sua preocupação com a falta de médicos em Portugal.

Para combater este problema estão já em curso negociações com as universidades que manifestem interesse em acolher estes alunos portugueses, o que deverá acontecer no próximo ano lectivo.

Com esta medida a ministra espera que estes estudantes, depois de tirar o curso, fiquem a exercer em Portugal, uma vez que quando regressam do estrangeiro são penalizados no reconhecimento do curso, o que a tutela está a tentar resolver.


Segundo Ana Jorge, são cerca de 700 os portugueses a estudar Medicina no estrangeiro, nomeadamente em Londres, Espanha e República Checa. Destes, 200 são finalistas.

O Ministério pretende ainda reforçar a vinda de médicos do estrangeiro, sobretudo da América Latina. De Cuba deverão vir 40 médicos, por um período de três anos e para exercerem nos locais onde “há mais dificuldade em colocar médicos”, especificou Ana Jorge. Do Uruguai chegaram já 15, que estão a trabalhar no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), estando prevista a chegada de mais 20. Portugal irá ainda acolher médicos do Chile, que chegarão para fazer a sua especialidade durante cinco anos.

Outra das medidas para combater a falta de médicos é a abertura de mais vagas nas Universidades e em especialidades onde seja mais necessário haver médicos.
Para a ministra, o problema da falta de médicos, que se agudizou nos últimos anos, deve-se essencialmente “abertura de instituições privadas”. Ana Jorge reconhece o problema e assume que “o Serviço Nacional da Saúde (SNS) não tem, do ponto de vista financeiro, possibilidade de concorrer com o privado”. A aposta passa por uma nova definição de carreiras, cuja proposta deverá seguir “dentro de dias” para os parceiros, depois de analisados os seus contributos.

Até lá, Ana Jorge lamenta que existam no sector verdadeiros “mercenários” que tenham optado por dar “prioridade ao dinheiro”, numa referência aos médicos que só trabalham através de empresas privadas, assegurando sucessivos bancos de urgências em várias instituições e por todo o país.
“Chamo-lhes mercenários”, disse a ministra, lembrando que a tutela regulou recentemente os pagamentos por hora destas empresas e definiu regras, como a obrigatoriedade dos hospitais justificarem o recurso a estes profissionais.

Contudo, Ana Jorge reconhece que, se os hospitais alegarem que não encontraram no mercado preços por hora mais baratos, então têm de comprar serviços ao preço que as empresas pedem.

A ministra disse desconhecer manobras das empresas para assegurarem um elevado preço por hora, mas afirmou saber que “roubam médicos entre eles” e que vão buscá-los ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Em 2007, um total de 1047 médicos deixaram o SNS, sendo 643 destes abandonos “saídas puras”, segundo os dados do Ministério da Saúde. Os restantes médicos que saíram do SNS fizeram-no porque se reformaram (321) ou ao abrigo de licenças sem vencimento (81)”

                                                                                                               in publico.pt

 

No seguimento desta notícia a ANEM já se insurgiu e fez o seguinte comunicado que foi enviado para os meios de comunicação social, bem como para a Ordem dos Médicos, Ministério da Saúde e CNMI:

 

 Comunicado ANEM

 

Também a AAC já tomou uma posição oficial em comunicado:

 Posição Oficial da AAC

 

 

Caros Colegas,

Temos razão para nos preocupamos. Devemos estar alerta.

Irei acompanhar o evoluir deste processo e manter-vos-ei informados.

 

                                                                                     Bruno Pedro

 

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